Wednesday, June 28, 2006
Monday, June 26, 2006
-MUSS ES SEIN?- (tem que ser assim?)
Ele gritava sem parar saltando-lhe as veias uma raiva contida, ela de olhos baixos engolida por uma incompreensão de si mesma quase fria, recebia aqueles gritos numa opacidade sem dor, sem dó, sem dificuldade. Se tornara uma estátua, tanto fazia o mundo, desde que não a obrigassem a participar dele.
A porta bateu com força nas suas costas e por alguns minutos um silêncio insuportável tomou conta do quarto. Um silêncio doloroso, um temor, uma ansiedade mastigadora do que viria ser o próximo instante. Num ato súbito pegou os documentos, os remédios e uma pequena quantia em dinheiro. Girou e puxou a maçaneta, então irrompeu a sala, firme, sem olhar para os lados, em direção a entrada.
O homem que agora assistia televisão levantou num pulo e postou-se diante dela, já na escada que descia para a saída do prédio, novamente aos berros.
Como automaticamente, ela sentou e fez menção a esperar que o outro saisse. Não respondeu nenhuma de suas perguntas, nem sequer teve qualquer reação em vista ao tom violênto daquela voz. Parecia que se protegia em uma outra atmosfera enquanto se cuspia cada vez mais ódio do outro lado ao que começava a deparar-se com a impotência. Sua presença e seu corpo rigido haviam perdido o poder, não a afetavam mais.
Um intervalo de tempo grande seguiu com os dois seres intactos, até que ela se ergueu, fechou os olhos e recomeçou a caminhar, como se nenhuma barreira a esperasse adiante. Logo sentiu dois braços fortes a imobilizarem, tentou se desvencilhar sem trair o encantamento melancólico e inerente que a tomara. Mas em vão, o sangue enfim subiu-lhe a cabeça e desta vez, diferente de tudo o que já havia se passado, chutou fervendo os membros baixos que lhe puseram no mundo.
Um choro ecoou no corredor e as mãos viris que lhe apertavam agora lhe abraçavam sofridas e fracas - se acalma, por favor.
Sem saír do seu objetivo, mergulhou mais uma vez no vazio, se desviou do corpo em frente, abriu a portinhola e se entregou a escuridão da rua.
Bastou alguns passos para que as lágrimas começasse a lhe escorrer o rosto, soluçava com medo e angústia. A imagem daquele homem bruto se desmanchando em dor e amor fez seu coração rasgar pelo meio, cair, pesar, como se bolas gigantes de ferro a acorrentassem. Não existia nada mais avassalador que a compaixão.
A porta bateu com força nas suas costas e por alguns minutos um silêncio insuportável tomou conta do quarto. Um silêncio doloroso, um temor, uma ansiedade mastigadora do que viria ser o próximo instante. Num ato súbito pegou os documentos, os remédios e uma pequena quantia em dinheiro. Girou e puxou a maçaneta, então irrompeu a sala, firme, sem olhar para os lados, em direção a entrada.
O homem que agora assistia televisão levantou num pulo e postou-se diante dela, já na escada que descia para a saída do prédio, novamente aos berros.
Como automaticamente, ela sentou e fez menção a esperar que o outro saisse. Não respondeu nenhuma de suas perguntas, nem sequer teve qualquer reação em vista ao tom violênto daquela voz. Parecia que se protegia em uma outra atmosfera enquanto se cuspia cada vez mais ódio do outro lado ao que começava a deparar-se com a impotência. Sua presença e seu corpo rigido haviam perdido o poder, não a afetavam mais.
Um intervalo de tempo grande seguiu com os dois seres intactos, até que ela se ergueu, fechou os olhos e recomeçou a caminhar, como se nenhuma barreira a esperasse adiante. Logo sentiu dois braços fortes a imobilizarem, tentou se desvencilhar sem trair o encantamento melancólico e inerente que a tomara. Mas em vão, o sangue enfim subiu-lhe a cabeça e desta vez, diferente de tudo o que já havia se passado, chutou fervendo os membros baixos que lhe puseram no mundo.
Um choro ecoou no corredor e as mãos viris que lhe apertavam agora lhe abraçavam sofridas e fracas - se acalma, por favor.
Sem saír do seu objetivo, mergulhou mais uma vez no vazio, se desviou do corpo em frente, abriu a portinhola e se entregou a escuridão da rua.
Bastou alguns passos para que as lágrimas começasse a lhe escorrer o rosto, soluçava com medo e angústia. A imagem daquele homem bruto se desmanchando em dor e amor fez seu coração rasgar pelo meio, cair, pesar, como se bolas gigantes de ferro a acorrentassem. Não existia nada mais avassalador que a compaixão.
Saturday, June 24, 2006
-Ela é boa de cuspir-
meu nojo
rezei por todo dia.
meu gozo
chorei a noite toda.
meu pecado
um anjo que cortou as asas.
minha dor
lambuzou-se de paixão
se afogou num tanque de rancor
e fez um ninho de loucura.
rezei por todo dia.
meu gozo
chorei a noite toda.
meu pecado
um anjo que cortou as asas.
minha dor
lambuzou-se de paixão
se afogou num tanque de rancor
e fez um ninho de loucura.
Thursday, June 22, 2006
Monday, June 19, 2006
yulechka]
essa carne que me empaca.
pobre de mim.
podre.
morro sem olhar no espelho.
yulechka.
sangue frio, congela e ferve.
pobre de mim.
podre.
morro sem olhar no espelho.
yulechka.
sangue frio, congela e ferve.
Wednesday, June 14, 2006
Sunday, June 11, 2006
Friday, June 09, 2006
-Dum grande maior.-
E nos teus olhos de tristeza eu vi tanta beleza.
que fiquei até com vergonha de chorar.
que fiquei até com vergonha de chorar.
Thursday, June 08, 2006
Acontece
Sentia vontade de chorar, prendeu um pouco o motivo e tentou raciocinar - Deve ser o homem que é trágico. Deve ser o homem - Entendia mais da vida do que queria. Encostou o rosto no travesseiro querendo se afogar. Tentou não sentir mais desprezo, nem ódio, nem rancor. Tentou também a paz. Por que não? Lembrou de uma imagem sorridente e apaixonada. Esquentou o coração e tentou mais uma vez.
Queria se encolher num cobertor e fingir, mergulhar numa fantasia/irrealidade infinita.
Abriu os olhos e antes disso, tristeza - Será? Será meu Deus, que a vida foi feita para ser assim, tão desperdiçada? Deixar-se dessa forma, simplesmente, passivamente, existir?
Engoliu algumas desilusões e aceitou dormir.
Era a dor do mundo que caía.
pingos pesados.
Queria se encolher num cobertor e fingir, mergulhar numa fantasia/irrealidade infinita.
Abriu os olhos e antes disso, tristeza - Será? Será meu Deus, que a vida foi feita para ser assim, tão desperdiçada? Deixar-se dessa forma, simplesmente, passivamente, existir?
Engoliu algumas desilusões e aceitou dormir.
Era a dor do mundo que caía.
pingos pesados.
te amo de um doce.
te temo perder.
:eu.
Tuesday, June 06, 2006
-as flores têm cheiro de morte-
Sentiu o sangue nas têmporas, tentava estancar as feridas com a mão e ia manchando de um vermelho vivo as pedras do caminho.
Sentou-se em alguma espécie de monte branco e por um momento teve a sensação de que alguém o observava, olhou para os lados e só o vazio poderia chegar-lhe a vista - Bobagens humanas. Achamos que somos um grande espetáculo. Estou só. - Mergulhou seus pés em uma grande bacia de vinho tinto, agora misturado com seu sangue e foi pingando as veias de pouco em pouco sobre a terra branca.
Isso vai te surpreender eu juro.
Cortou seus peitos, depois fez com que se curassem. Tomou alguns calmantes e deitou no chão. Quis olhar o sol de qualquer forma cego onde os olhos não fossem tão abusivos à visão.
Não entendia o que era ser homem, nem seu corpo de mulher.
Esticou os braços querendo senti-los todos em contato com o mundo e abriu bem o pulmão, como se numa oferenda.
Fechou os olhos e sentiu dentro de si qualquer sanidade suave lhe soprando os ouvidos. - Não quero voltar - Arrancou uma arma do paletó e pousou-a sobre o estômago. Com os dedos arranhou as canelas como se fossem facas. Não sentia dor. Voltou a andar numa automação selvagem.
Deus, eu não acredito em você. E em nada. Em nada eu acredito. Faço as coisas porque assim me mandam.
avião sem asa
ás vezes sou bem ácida.
ás vezes uma gracinha.
pra você, vou ser sempre o que você quiser.
meu coração galinha de leão
é doidinho.
maluquinho.
pra te ver feliz.
ás vezes uma gracinha.
pra você, vou ser sempre o que você quiser.
meu coração galinha de leão
é doidinho.
maluquinho.
pra te ver feliz.
Monday, June 05, 2006
descanse em meu pobre peito
.
vontade de te enforcar e te santificar no peito. vontade de te odiar tanto quanto te amo. vontade de sugar todas suas dores, te castigar com a minha morte. vontade de cuspir na tua boca, acidificar tuas salivas com meu desprezo. meu peso. meu desejo por você.
vontade de te enforcar e te santificar no peito. vontade de te odiar tanto quanto te amo. vontade de sugar todas suas dores, te castigar com a minha morte. vontade de cuspir na tua boca, acidificar tuas salivas com meu desprezo. meu peso. meu desejo por você.
Sunday, June 04, 2006
mó pena né
que as coisas são assim.
vou ganhar na loteria um dia.
.
-me dá essa faca.
-praque?
-vocêtalouca! me-dá-essa-fa-ca!
-nanananana.
-larga!
-voutecontar uma coisa mãe. no seu ouvido.
-me dá essa faca.
-toda sua.
-vocêtalouca.
-umasfacas vão. asoutras ficam.
é só o tempo.
vou ganhar na loteria um dia.
.
-me dá essa faca.
-praque?
-vocêtalouca! me-dá-essa-fa-ca!
-nanananana.
-larga!
-voutecontar uma coisa mãe. no seu ouvido.
-me dá essa faca.
-toda sua.
-vocêtalouca.
-umasfacas vão. asoutras ficam.
é só o tempo.
superhomem-mimado
Ouvia o que queria, via o que queria, sentia o que queria, comia o que queria, respirava o que queria, fazia o que queria, sempre assim, o que queria.
quando quis morrer....
puf.
arrancou o coração.
quando quis morrer....
puf.
arrancou o coração.
Friday, June 02, 2006
Thursday, June 01, 2006
-só quero que você se encontre-
De manhã, a chuva e as nuvens combinavam bem com estado patético da sua cabeça. Testa espremida na janela para ver a vida passar. Gostava daquelas pequenas poças d’água no chão e principalmente do aspecto úmido das pessoas. Tudo ganhava uma nova cor, era como se a baderna da cidade entrasse numa só cadência. Guarda-chuva, serenidade, unidade, talvez.
Um cigarro encaixaria certamente naquela posição, sabia lidar bem com a melancolia, e afinal, não tinha nada a perder. Pensava na capacidade humana de estar só. Aquilo não lhe era um tormento como para a maioria das pessoas, mas um aspecto interessante. Quer dizer, quando um veado está sozinho, por exemplo, não lhe é conferida esta característica, mas os seres humanos não, são capazes de estarem sós, mesmo em meio a uma enorme multidão. Trancam-se em si e não há ninguém que possa compartilhar de uma mesma emoção.
As pombas sujas e sempre aquela sensação de que seu corpo não importava mais. Na verdade a mente é que temia. Sabia que ainda não podia morrer e essa era uma necessidade especialmente egoísta. O que deveriam pensar aqueles que num ato súbito se deixavam levar? Morriam por algo, ou por alguém? Sem dúvida alguma conheciam bem o sentido da vida. Do contrário, o vazio sempre vem com uma esperança maior...
Num baque se assustou e teve que abandonar as futilidades do seu pensamento. O motorista chamava.
- Moça?
Saltou do táxi e voltou para o dia.